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RESTAURAÇÕES INDIRETAS DE CERÂMICA PURA.
MAIS UMA OPÇÃO PARA O CLINICO GERAL.

TPD. NELSON MAIA BERGAMINI
CD. WALTER R. L. DIAS

Há muito tempo os profissionais que trabalham com prótese odontológica, clinica ou laboratorial, almejam e buscam restaurações indiretas de cerâmica sem metal. A principal razão para que isto ocorra é a dificuldade que muitos profissionais encontram para esconder a cinta metálica das restaurações metalo-cerâmicas e também a translucidez facilmente alcançada com essas restaurações cerâmicas puras, mesmo em preparos conservadores, onde apenas 1.0mm de estrutura dentárias foi removido no terço cervical do preparo.

MACKLEAN (1967) foi um dos primeiros a desenvolver essa tecnologia, com as suas famosas jaquetas de cerâmica reforçadas com alumina, ainda na década de 60. Desde então, inúmeras cerâmicas reforçadas e que não necessitam de infra- estrutura metálica foram lançadas no mercado.É importante notar que hoje colhemos os frutos dessa iniciativa, já que muitos estudos clínicos longitudinais estão sendo publicados,enquanto outros já se encontram na literatura. Esses estudos clínicos de longo prazo são importantes porque os testes laboratoriais que estamos acostumados a consultar, antes de começar a utilizar um novo material, nem sempre nos levam a verdade; ou seja, nem sempre predizem a performance clinica do material consultado ao longo do tempo.

Uma pesquisa clinica publicada recentemente revelou índice de sucesso de até 96%

, quando 223 coroas de In-Ceram Vita foram avaliadas após três anos de vida útil (Maclarem,2000).

MALAMENT E SOCRANSKI(1999) avaliou 1.444 restaurações de Dicor ( dentsply international, York, Pa.) após 14 anos e encontrou índices de sucesso que chegaram a 84%; é interessante que, na época, as restaurações de Dicor eram indicados para serem cimentadas com fosfato de Zn, e o autor foi um dos primeiros a utilizar cimentação adesiva, o que poderia explicar os índices de sucesso e o longo termo da pesquisa.

SORENSEN et al. (1998) avaliou 61 próteses parciais fixas (PPF) de cerâmica reforçada com alumina em sítios anteriores e posteriores e obteve 100% de sucesso nas PPF anteriores após três anos. KERN E STRUB(1998) avaliou 17 PPF de cerâmica pura reforçada com alumina e apesar de ter detectado algumas fraturas, assegurou que nenhum dos retentores soltou-se, mesmo após cinco anos.

PROBSTER(1996) avaliou 95 coroas de In-Ceram após quatro anos e reportou que nenhuma delas necessitava de substituição, apesar de ter encontrado cárie recorrente em quatro coroas das 95 cimentadas quatro anos antes.

O objetivo deste artigo é apresentar um caso clínico no qual restaurações deficientes de amálgama são substituídas por restaurações de resina composta e uma coroa unitária de In-Ceram.

O caso inicial mostra as restaurações de amálgama prestes a serem substituídas.(figura 1).

A única exigência da paciente era que as restaurações não aparecessem quando ela sorrisse.

Entre os vários tipos de tratamentos estéticos possíveis, optou-se por restaurações diretas de resina composta nos dentes 45 e 47 e coroa unitária de cerâmica pura (In-Ceram) no dente 46.
FIGURA 1 : Caso clínico inicial, mostrando as restaurações de amálgama a serem substituídas.

Realizou-se um preparo de tipo chanfro profundo, instalando o provisório (figura2 ).

FIGURA 2 : Provisório instalado após o preparo periférico total do dente 46 e substituição das restaurações de amálgama por restaurações de resina composta (tetric Ceram-Vivadent) nos dentes 45 e 47.

Prova de coping onde a interface dente/ restauração era praticamente imperceptível (figura3).

FIGURA 3 : Prova de infra-estrutura de alumina.

O resultado, após a aplicação da cerâmica (vitadur alpha) e glaze, deixa evidente detalhes anatômicos que irão favorecer a performance clínica da restauração, uma vez que a mesma esteja cimentada (figura 4)

FIGURA 4 : Coroa unitária após o glaze, pronta para a cimentação. (cerâmica aplicada: vitadur alpha)
Nas figuras 5 e 6 pode-se ver a PPF 46 logo após a cimentação de cerâmica pura devolvem a naturalidade ao quadrante.
FIGURA 5 : Caso finalizado após a cimentação.

FIGURA 6 : Caso finalizado – com maior aumento. Notar a riqueza de detalhes anatômicos maximizando a capacidade mastigatória da restauração.

O controle dessas restaurações foi realizada após três meses, uma ocasião muito gratificante, onde se pôde observar que a restauração estava cumprindo o seu papel funcional,estético e também biológico, já que nenhum sinal clínico de inflamação gengival foi encontrado (figura 7).

FIGURA 7: Controle após três meses. Notar a ausência de sinais clínicos de inflamação gengival e aparência natural da coroa de In-Ceram no dente 46. devido á translucidez natural em comparação com os dentes adjacentes.

História clínica das restaurações indiretas de cerâmica sem metal ainda se encontra no começo e o seu real papel na odontologia estética é promissor.

Optou-se por restaurações diretas de resina composta nos dentes adjacentes por ser a opção menos invasiva, proporcionando resultados muito promissores quando bem utilizados e também por serem econômicas.

Realizou-se um preparo de tipo chanfro profundo no dente 46, embora MALAMENT (1999) tenha demonstrado não haver diferenças nas performances clínicas tanto do preparo tipo ombro, para coroas unitárias de cerâmica pura,desde que cimentadas adesivamente.

É importante lembrar que qualquer tipo de restauração indireta segue os mesmos princípios técnicos de preparo e moldagem, onde toda a linha de térmico do preparo deve estar regularizada e presente no molde.
FIGURA 8: Caso Final.

Walter R. L. DIAS
Especialista em Prótese/ Bauru- USP
Mestrado em Dentística Operatória /Universidade da Carolina do Norte -EUA

Nelson Maia BERGAMINI

Técnico em Prótese Dentária
Cursos de Atualização em In- Ceram, Metalo-Cerâmica , Micro Frezagem na Alemanha em 97/98/2000
Consultor Máster em Fibra de Vidro Angelus  

Endereço para correspondência
Av Expedicionários 342 1* andar sala 12
Rolândia PR CEP 86600-000
E-mail artesdent@rolandia.com.br

 
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